Empresas familiares: o que é preciso saber sobre o tema?

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A partir da identificação de uma necessidade ou de um sonho, o empreendedor toma a iniciativa de abrir seu próprio negócio com a participação da família. É assim que, geralmente, surgem as empresas familiares e essa modalidade compreende aproximadamente 90% das empresas brasileiras.

Embora seja quase que gestada entre membros da própria família, empresas desse perfil precisam passar por muitos desafios para que consigam seguir em frente. Lidar com as finanças pessoais e da empresa, sucessão de proprietário e conflitos internos estão entre esses desafios.

Quer saber mais sobre esse assunto? Acompanhe este texto e conheça o que, de fato, configura as empresas familiares, quais os tipos desses negócios e como realizar o planejamento sucessório. Também, saiba como enfrentar os mais diversos obstáculos desse modelo de constituição. Confira!

Afinal, o que são as empresas familiares? 

Considera-se assim a integração da família em um negócio. Contudo, essa associação não é de qualquer forma. Por exemplo, não é simplesmente ter algum membro trabalhando como funcionário da empresa. É preciso ter familiares exercendo responsabilidades nas funções de acionistas ou membros da diretoria. Inclusive, a gestão do negócio pode até estar nas mãos de uma pessoa fora da família, mas desde que no quadro de diretores ou acionistas tenha algum familiar. 

Quais os principais tipos e características de empresas familiares?

Assim como nem toda família é igual, as empresas familiares também existem em tipos e características diferentes. Os três tipos mais comuns são as tradicionais, híbridas e de influência familiar. Vejamos mais detalhes a seguir.

Empresa familiar tradicional

Trata-se de uma empresa com capital fechado que, geralmente, são micro, pequenas ou médias empresas. Nesse tipo de negócio, a gestão é feita exclusivamente pelos próprios membros da família e não há tanta preocupação com transparência financeira e administrativa, como ocorre em empresas não familiares. 

Empresa familiar híbrida

Esse tipo de empresa tem um capital aberto, isto é, qualquer pessoa pode comprar uma ação da empresa e se tornar um sócio. No entanto, o controle da organização permanece com membros de uma família que, aliás, têm o maior número de ações. Nesse tipo de empresa, há uma maior preocupação com a transparência, inclusive, geralmente a gestão dessas empresas é feita por profissionais contratados e especializados. 

Empresa com influência familiar

Esse tipo de empresa também atua com capital aberto, porém, a família não tem a posse de mais de 50% das ações. Esse tipo de negócio ainda é considerado uma empresa familiar porque a família tem uma parcela relevante das ações. Mesmo de maneira indireta, essa família possui grande influência em relação aos outros acionistas. 

Como realizar o planejamento sucessório em empresas familiares?

A troca de gestão é algo bastante comum e natural em qualquer empresa. No entanto, nas empresas familiares essa situação é mais complexa, pois envolve a sucessão familiar. Esse processo se inicia com a aposentadoria do fundador da empresa, promoção ou troca de comando decorrente de algum outro motivo. Contudo, sempre envolve conflito de interesses. 

A sucessão é um assunto sério e não pode ser feita de qualquer maneira. Afinal, ao passar a liderança para um membro despreparado, é possível que a empresa tenha prejuízos financeiros que podem até mesmo levar à falência. Nesse sentido, é fundamental que seja realizado um planejamento sucessório em empresas familiares. Isso quer dizer criar programa de desenvolvimento profissional, os quais contam com capacitação e preparação dos possíveis sucessores.

Também, é recomendável que essa sucessão seja intermediada por terceiros. Justamente para que se tenha mais isonomia no processo e que este não seja contaminado com interesses pessoais e conflitos internos na família. Assim, é muito importante contar com os serviços de uma assessoria jurídica e contábil, a fim de que todos os procedimentos estejam dentro da lei.

Quais cuidados devem ser tomados para garantir a saúde financeira em empresas familiares?

É muito recorrente que donos de empresas e seus familiares pensem e ajam como se a empresa fosse a extensão de sua casa. Essa postura é bastante errada e pode comprometer a saúde financeira da empresa. Vejamos, a seguir, cuidados que devem ser tomados para evitar o insucesso das empresas familiares. 

Separe o relacionamento pessoal do profissional

Um dos maiores problemas vinculados à gestão de uma empresa familiar é quando não existe uma distinção entre os relacionamentos pessoais e as responsabilidades diante da empresa. É comum, por exemplo, essa situação resultar em brigas e conflitos que se perpetuam durante a rotina na gestão da organização.

Nesse sentido, é extremamente importante que brigas e desentendimentos sejam resolvidos fora da empresa. Esse deve ser um espaço reservando para o trabalho e apenas para questões de cunho profissional. Essa atitude ajuda a manter as metas e objetivos da empresa, dificultando seu colapso. 

Diferencie as contas pessoais com as da empresa

Tão importante quanto manter um bom relacionamento interpessoal, as empresas familiares também devem saber dividir as finanças particulares e as empresariais. Caso contrário, a empresa pode se encontrar em situação financeira ruim. Para isso, é fundamental criar uma conta bancária e um cartão de crédito que seja especificamente para a empresa.

Além disso, também é importante que os gestores sejam remunerados de acordo com o padrão, ou seja, pague um salário cujo valor é praticado no mercado. Saber fazer a separação das contas pessoais e da empresa também ajuda a evitar que dinheiro seja retirado da conta jurídica para resolver demandas sem planejamento. Afinal, é inadmissível pagar as contas de casa com o dinheiro de caixa da empresa. 

Escale a equipe de acordo com as competências

É comum nas empresas familiares que os membros ocupem diferentes cargos dentro da organização. Contudo, isso não pode ser feito de maneira arbitrária, é necessário que haja um mínimo de correlação com as habilidades, aptidões e competências para o cargo. Empregar um parente em uma função na qual ele não está preparado pode corroer a produtividade da empresa ou a sustentabilidade dela.

Quais os principais desafios enfrentados em empresas familiares?

Além das questões que envolvem a sucessão familiar e o relacionamento entre membros da família, há outros desafios que comumente precisam ser enfrentados pelas empresas familiares. Vejamos a seguir alguns deles. 

Falta de compromisso

A falta de compromisso com o trabalho costuma existir principalmente nas pessoas mais jovens, que visualizam a empresa da família não como um patrimônio a se tomar conta, mas uma oportunidade de ganhar dinheiro fácil. A situação fica ruim quando se cobra atitudes, não se utiliza indicadores de desempenho e outras maneiras de motivar o aprimoramento de habilidades.

Sendo assim, o diretor de empresas familiares não deve colocar um filho ou sobrinho no negócio só porque acha que deve ser assim. A recomendação é realizar um processo de educação, na qual a transmissão para a próxima geração venha de uma necessidade de se comprometer com a empresa para que ela frutifique, mantendo o sustento da família.

Inexistência de hierarquia

O organograma de uma empresa familiar, geralmente, reflete a dinâmica das relações no âmbito pessoal. Isso quer dizer, por exemplo, que o pai, por ser mais referenciado na família, vai ter suas decisões acatadas na empresa, mesmo se um filho tiver razão quando se opõe à decisão dele.

É fundamental mudar essa mentalidade. A hierarquia da empresa não necessariamente tem que ser a mesma da família. Nesse sentido, não importa a relação entre irmãos, primos ou o que for, a tomada de decisões deve ser realizada por critérios técnicos e com muita coerência. Portanto, em uma empresa familiar onde se costuma ter uma hierarquia rígida ou os membros geralmente atuam de forma mais competitiva entre si, deve ser instaurada uma hierarquia diferente.

Pouca preocupação em capacitar colaboradores

Geralmente, por achar que é uma estratégia de redução de custos, as empresas familiares de pequeno e médio porte são compostas, exclusivamente, por membros de determinada família. Isso tanto no contrato social quanto no quadro de funcionários.

Além disso, de modo geral, os membros dessa família não têm competências importantes para assumir suas funções. Uma saída encontrada, geralmente depois de muita insistência, é contratar pessoas de fora da família, como um escritório de contabilidade para empresas.

Esse é um desafio, principalmente quando os responsáveis pela gestão de empresas familiares se preocupam apenas com a ascensão dos parentes. É fundamental investir constantemente na capacitação de seus colaboradores, sejam eles externos ou de parte da família. Afinal, é preciso garantir a perpetuação do patrimônio.

Resistência a novidades tecnológicas

Quando a empresa familiar deixa de lado a necessidade de profissionalização, é recorrente que também ignore as novidades tecnológicas. Hoje, uma coisa está ligada a outra: a tecnologia permite maior eficiência e produtividade em empresas de qualquer setor.

A adoção das tecnologias, como a contabilidade 4.0, também tem relação com a transformação digital, processo que torna as companhias mais ágeis, flexíveis e com foco total nas necessidades do cliente. Na gestão de empresas familiares, a desorganização nos fluxos de trabalho é um vício frequente, o que impede um aproveitamento mais inteligente das melhores soluções tecnológicas disponíveis.

Pouca capacidade criativa

A sucessão dos proprietários e a perpetuação do negócio, algo característico de empresas familiares, muitas vezes, pode fazer com que os dirigentes da empresa acabem por se preocupar menos com a inovação como estratégia de negócio.

Qualquer organização que almeja a longevidade precisa se atentar a isso, especialmente nos dias atuais, com o avanço cada vez mais rápido da tecnologia, a globalização e a alta volatilidade no mercado e no comportamento do consumidor. Assim, inovar é a saída para marcas que querem continuar relevantes.

Quais são as ferramentas de gestão empresarial que podem ser usadas em empresas familiares?

Uma maneira de evitar que eventuais conflitos familiares prejudiquem a empresa é utilizar ferramentas de gestão empresarial. Essas estratégias são mais objetivas e conseguem pensar na saúde integral do negócio. Vejamos a seguir algumas delas. 

Definir metas e objetivos

Para ter sucesso, é fundamental entender que a organização tem uma vida própria. Isso quer dizer que ela deve se basear em metas e objetivos — considerando, por exemplo, o lucro real — para sobreviver em um mercado cada vez mais concorrido.

Nesse sentido, mesmo no caso das empresas familiares, é fundamental definir as metas e objetivos do negócio. Nesse contexto, deve estar presente, inclusive, o plano de sucessão. A recomendação é solicitar a contratação de profissionais de fora da empresa para que o planejamento da gestão seja mais isento e objetivo possível. 

Estabelecer um processo para as decisões

Na jornada de uma empresa, é comum surgirem momentos nos quais as tomadas de decisão são mais complexas. Nessa hora, não tem como fugir para o colo da mãe ou do tio. É preciso encarar essa situação decisiva para a empresa.

Por isso, é importante que os membros que integram a gestão da empresa tenham extrema capacitação. Eles devem se rodear de informações das mais complexas sobre a empresa e o mercado na qual ela atua. Dessa maneira, a família conseguirá tomar decisões consistentes e que trarão sucesso.

Criar um plano de negócios dos proprietários da empresa

Todo negócio tem implicações fiscais que precisam ser consideradas. Por exemplo, a questão sobre o momento da venda ou transferência de propriedade, morte ou divórcio. Para esses momentos, é recomendável que se examine o planejamento imobiliário do proprietário, a fim de minimizar impostos e evitar atrasos na transferência de ações aos proprietários ou cônjuge restantes.

Elaborar um plano de transição

Entre os dirigentes da empresa familiar, é importante definir quanto antes se o negócio deve ser comprado. Em caso afirmativo, considere opções de financiamento. Por exemplo, esse pode ser pago por uma parte externa ou pelos proprietários em aposentadoria. Quanto mais bem pensada as formas de financiamento, melhor a possibilidade da empresa familiar angariar recursos e ficar longe de imprevistos. Uma assessoria contábil certamente pode ajudar nisso.

Essas foram algumas informações sobre empresas familiares. É importante que todos os membros que atuam na gestão da empresa saibam armazenar documentos, pois são importantes para comprovação diante do fisco e de outras legislações. 

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